Pragmático QB

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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Leicester 1 vs FC Porto 0 - 27.09.2016 - Liga dos Campeões

Quando adormeces e chegas atrasado ao trabalho.

Há coisas que nunca mudam, tipo o Slimani ter uma apetência criminosa para nos marcar golos (7 em 9 jogos, pior só o Lima com 9 golos em 18 jogos) e tipo nunca ganharmos em Inglaterra. Com a derrota em Leicester, o histórico de confrontos em Inglaterra continua pornográfico, porque em 18 jogos somamos 16 derrotas e apenas 2 empates, curiosamente em 2 jogos contra o meu Manchester United, um deles épico, num dos momentos mais felizes da minha vida. Leicester, Manchester United e City, Chelsea, Newcastle, Tottenham, Arsenal e mais algumas, já todos nos fizeram cair, com mais ou menos estrondo.

Vi alguns jogos do Leicester esta época e na época passada, principalmente a partir do momento em que passaram para a liderança da Premier League e o sonho começou-se a tornar em realidade. O futebol da equipa comandada por Ranieri chega a praticar um futebol tão simples e básico, que chega a ser incompreensível a forma como ganham e ganharam tantos jogos. Vardy e na maior parte das vezes Okazaki massacraram defesas inteiras durante toda a época passada mas Ranieri foi ambicioso e quis algo mais na frente de ataque, quis um jogador semelhante a Vardy, que fosse rápido, que fosse chato e pressionante, que corresse durante 90 minutos, e que principalmente marcasse golos e conseguiu isso tudo com a compra de Slimani. 

O jogo de ontem conseguiu aliar futebol inglês à moda antiga e futebol italiano no seu estado puro. O Leicester entrou forte, usou e abusou do futebol aéreo, quer através de cantos, livres ou lançamentos laterais, e depois de chegar à vantagem, recuou toda a equipa e tentou jogar em contra-ataque, sempre com os 2 panzers na frente preparados para fazer estragos. O Porto acordou tarde e se é certo que merecíamos melhor sorte, não podemos estar sempre à espera dos 20/25 minutos finais para tentar ganhar jogos. Discordando do Nuno mais uma vez, acho que a eficácia ou falta dela não deve ser chamada para esta equação.






Otávio - O MVP da partida. O pequeno Deco voltou a fazer um grande jogo e foi dos poucos que conseguiu fazer mossa na defesa inglesa. Dribles, passes e uma entrega total ao jogo mereciam mais sorte e mais acompanhamento por parte da restante equipa. Sofreu uma entrada durissima mas nem isso lhe retirou a vontade de ajudar.
Danilo - Um bicho no meio dos bichos azuis. Esteve um pouco por todo o lado, compensou laterais, recuperou bolas, saiu a jogar. Foi o Danilo dos melhores momentos da época passada.
Substituições - Nuno fez as 3 substituições e acertou em cada uma delas. Diogo Jota, Corona e principalmente Herrera entraram muito bem no jogo. Diogo Jota foi rematador, Corona teve nos pés a nossa melhor oportunidade no jogo, e Herrera organizou o meio campo, empurrou a equipa para a frente e foi um dos principais causadores da superioridade portista no final do jogo.
 

Arbitragem - O boi do árbitro turco, que já conheço de outros jogos europeus, tal como é seu hábito, conseguiu ser um dos maiores protagonistas do jogo. Várias decisões erradas, algumas delas incompreensíveis foram uma forte ajuda para que o Porto não conseguir dar a volta ao golo de Slimani aos 20 minutos. Não deixar o Porto marcar um canto aos 45 minutos da 1ª parte, perdoar uma expulsão a um jogador do Leicester, assinalar mão na bola em todas as situações contra o Porto, transformar um claro penalti a nosso favor numa falta atacante inexistente foram alguma das obras primas de um árbitro que cedo se percebeu, iria ser o 12º jogador inglês. 
Querer entrar com o comboio em andamento - O Porto do jogo com o Copenhaga, Tondela e Leicester, faz-me lembrar um trabalhador que certo dia adormeceu, chegou duas horas atrasadas ao trabalho e quando chegou o momento de sair do emprego e voltar a casa, percebeu que não tinha completado todas as suas tarefas diárias. O Porto ontem foi esse mesmo trabalhador que adormeceu e chegou atrasado ao trabalho, e quando o cabrão do turco Cüneyt Çakir apitou para voltar a casa, percebeu que já não tinha tempo para dar a volta ao resultado. O Porto de Nuno Espírito Santo joga muito pouco (haters, querem começar a falar sobre o futebol do Lopetegui ou esperamos por mais alguns empates e derrotas?) e se para além disso, também chega atrasado aos jogos, está tudo fodido. Raça, Empenho, Vontade e Querer Ganhar são tudo características importantes para se ganhar jogos e canecos mas se só te serves delas a 20 minutos do fim, ou se não consegues praticar um futebol minimamente atractivo, vais ter muitos problemas durante a época.
Brahimi & Deproite - Compreendo que não podes convocar um jogador só porque normalmente eles faz grandes jogo na Europa mas deixar Brahimi na bancada foi claramente um erro do casting. O argelino nas 2 épocas anteriores foi várias vezes acusado de só jogar bem nos jogos europeus, e apesar de ser uma afirmação muito discutível, a verdade é que Brahimi por uma razão ou outra se agiganta na Liga dos Campeões, não aproveitar esse facto, é não aproveitar o melhor que o platel tem para te dar. Se Depoitre não serve para entrar na 2ª parte, numa altura em que estás a perder por 1-0 e precisas de presença na área para deitar abaixo roupeiros como o Huth e o Morgan, então vai entrar em que tipo de jogo?

domingo, 25 de setembro de 2016

FC Porto 3 vs Boavista 1 - 23.09.2016 - Liga Portuguesa

A 2ª remontada da época.

Foi 133º dérbi da Invicta entre Dragões a Axadrezados a contar para todas as competições nacionais e seguramente um daqueles jogos que não deixará grandes saudades. O Porto tem um histórico em casa claramente favorável, com 55 vitórias em 68 jogos, bem diferente dos jogos no Bessa, onde o equilibrio sempre foi um factor dominante.

O jogo da passada 6ª feira foi de certa forma emocionante, embora longe das batalhas intensivas da década de 90, principalmente quando as partidas se disputavam no Bessa. O Porto voltou a fazer um jogo fraco, na linha do que tem sido a época 2016/17, com alguns sinais de raça e vontade de ganhar após sofrermos um golo madrugador. Nuno voltou a fazer entrar um onze diferente do jogo anterior, voltou a jogar em 4-4-2 e lembrei-me do que se ia dizendo na época passada por esta altura, de Lopetegui a da sua exagerada rotatividade. Continua também o azar com as equipas de arbitragem que nos tem calhado em rifa porque mais uma vez e como tem sido um infeliz hábito, fomos claramente prejudicados.


André Silva - O MVP da partida. Depois de 5 jogos em branco e muitas criticas, o menino voltou a marcar e em dose dupla. Foi eficaz no lance do 1º golo e teve a frieza necessária para colocar bem a bola na grande penalidade. Pareceu combinar bem melhor com Adrián do que com Deproite e também achei que não teve tanta necessidade de se desgastar demasiado nas alas porque o espanhol acaba por ser igualmente bom nessas mesmas funções. Continua a tentar sem sucesso o 1vs1 mas acredito que melhore com o tempo, ou pelo contrário, que se dedique ao que é realmente bom. Como curiosidade, dizer que André Silva tem 5 golos no campeonato nas duas épocas que leva de equipa principal, 3 deles ao Boavista.
Otávio - É para mim o jogador mais regular da época. Continua a ser um jogador fundamental na equipa, seja em 4-4-2 ou no habitual 4-3-3. Tem revelado uma aptidão especial para o último passe, característica principal dos verdadeiros 10 e André Silva tem sido o principal beneficiado com isso. Aliou a tudo isto uma disponibilidade física enorme e uma capacidade de luta brutal. Tem sido dos que mais tem sofrido com entradas duras dos adversários e com a respectiva benevolência dos árbitros.
Felipe - Pelo ar, pelo chão e por mar, o central brasileiro limpou tudo o que mexia. Sou fã deste gajo, acho-o um centralão. Continua a pecar nas saídas para o ataque e em alguma dureza por vezes desnecessária, facto negativo no seu futebol e que não me parece que vá melhorar aos 27 anos. De qualquer das formas, fez um jogão que espero que repita com o Vardy e Slimani.
Reacção ao golo -  O golo do Boavista é irregular, nada a fazer ou dizer mas o Porto soube reagir bem ao soco madrugador. Apesar de alguma excessiva troca de bola sem efeitos práticos, o Porto não deixou o Boavista respirar, tirou-lhe a bola e qualquer oportunidade de contra-ataque e foi merecidamente para os balneários em vantagem. 
Herrera - Parece que o Hector percebeu e compreendeu que não estava a jogar puto e que o banco de suplentes era onde devia estar, porque entrou muito bem em campo, sempre a empurrar a equipa para a frente.


Layún - Acho que é a 1ª vez que ponho o mexicano na zona Kralj. Esteve bem a atacar, embora os cruzamentos tenham saído quase sempre mal medidos e foi a defender que esteve fraco. Bukia, o congolês de 21 anos que jogou quase sempre no lado esquerdo do ataque boavisteiro, passou um sem número de vezes pelo Miguel, algumas delas de forma embaraçosa para o Portista. Como faço parte da #TeamLayún, perdoo-lhe este jogo menos conseguido.
2ª parte - Apesar de estarmos a vencer por 2-1 ao intervalo, o Porto não pode encarar toda uma 2ª parte com aquela apatia própria de quem acha que estar a vencer pela margem mínima é suficiente para ganhar o jogo. Não fosse a ajuda preciosa do redes remendado e teríamos certamente uns 10 minutos finais penosos. Neste aspecto, Herrera com a sua entrada em jogo, foi o principal pacificador do futebol portista.
Nuno Espírito Santo - Já vamos em 9 jogos oficiais, 6 para o campeonato e 3 na liga dos campeões, e temo que o futebol praticado pela equipa não vá ser muito diferente do que o apresentado até aqui. Por outro lado, jogar pouco e ganhar sempre, é para o lado que durmo melhor.
Arbitragem - 6º jogo no campeonato, 6ª arbitragem "azarada" que o Porto teve. Nuno Almeida e os seus auxiliares, fizeram mais uma arbitragem em que na dúvida prejudicaram os de azul e branco. Tem sido assim desde o início da época e cheira-me que não é com newsletters ou álbuns no Facebook que as coisas melhorarão. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Tondela 0 vs FC Porto 0 - 18.09.2016 - Liga Portuguesa

Procura-se goleador, com ou sem experiência.

Um pequeno preâmbulo antes da análise ao jogo de Tondela, para falar do árbitro Hugo Miguel em particular e da arbitragem nos jogos do Porto esta época no geral, em caso de dúvida estamos e pelo que se tem visto continuaremos a estar, sempre a ser prejudicados. Ou são penáltis, ou são foras-de-jogo, ou são faltinhas de merda marcadas contra nós, ou são golos mal anulados, de tudo um pouco tem acontecido sempre a desfavor do Porto. Hoje o Deproite fez-me lembrar de certa forma o Hulk (salvas as devidas distâncias técnicas, físicas, whatever), porque ao mínimo contacto com os adversários, via-lhe ser marcada falta. Hugo Miguel teve uma arbitragem manhosa, condescendente com a dureza do Tondela, que teve o seu ponto alto, ou baixo neste caso, quando interrompeu o jogo para marcar uma falta a favor do Porto quando Adrian Lopez estava isolado e em excelente posição para marcar, supostamente porque estaria em fora-de-jogo.

Ao ver este Tondela jogar é impossível não me lembrar do Boavista dos anos 90, 2/3 flechas na frente, uma equipa muito aguerrida, muito anti-jogo e distribuição de muita porrada, um pouco à imagem do seu treinador Armando Teixeira, conhecido no mundo do futebol como Petit. O Porto tem de certa forma um problema com o Tondela, não sei se será da cor dos equipamentos, ou de outro qualquer motivo mas a verdade é que em 3 jogos com os Beirões, o Porto ganhou unicamente um, numa vitória no Estádio João Cardoso por 0-1 com um coelho da cartola sacado pelo Brahimi aos 28 minutos. De lá para cá, uma derrota e o empate de hoje, o que faz do Tondela um dos adversários mais temidos pelo Porto a nível nacional.

Hoje o jogo começou às 18 horas mas o Porto só apareceu para jogar passados 15 minutos e só percebeu que tinha de marcar por volta dos 75 minutos de jogo, altura em que dispusemos de 2 boas ocasiões de golo por André Silva e outra por Adrian. Foi um jogo complicado, o normal após jornadas europeias (o Sporting que o diga), Nuno fez algumas alterações, claramente para dar sangue novo e frescura à equipa, mas o Porto tinha obrigação de fazer claramente mais. O Mister voltou a usar a fórmula do jogo com o Guimarães, com Deproite e André Silva na frente e Brahimi e Otávio nas alas. Sinceramente é um esquema que me agrada quando se usam extremos mais clássicos, daqueles que tem a tendência para ir à linha e não com as sistemáticas vindas para dentro como faz o Porto. Se Nuno gosta deste esquema, se calhar não é pior ideia apostar em Adrian ao lado de um dos pontas de lança, como se viu com a sua entrada, parece combinar melhor com André Silva, do que o Português com o Belga. Óliver revelou ser uma excelente aposta porque a sua entrada em campo coincidiu com o melhor período do Porto. Hoje sim, Nuno pode falar em falta de eficácia, mas não está isento de culpas deste problema, porque segundo se consta, Aboubakar foi afastado da equipa por vontade do treinador e nem o André, nem Deproite são melhores que o camaronês, e Suk não é inferior a Deproite, com a vantagem que tinha calo de futebol português.Tal como no jogo com o Copenhaga, o Porto não fez um bom jogo, embora desta vez tenha feito mais do que o suficiente para ganhar.

Em 5 jogos, 10 pontos e já 5 pontos perdidos, o que traduz inequivocamente a dificuldade que será a época 2016/17. Os últimos dias do mercado serviram para construir um plantel mais equilibrado mas infelizmente não serviu para desenterrar um matador. McCarthy, Lisandro, Falcao e Jackson, deixaram um legado no clube que deveria ter sido mais respeitado, e por muito que goste de ver um avançado da casa na equipa, não me parece que seja com um miúdo de 20 anos e com um jogador Belga, que duvido que alguém tenha ouvido falar dele antes de vir para o Porto, que poderemos atacar uma época e 3 competições com ambições de ganhar pelo menos 2. A azia de hoje não foi maior porque o Rio Ave do Capucho fez o favor de nos dar duas mãozinhas.


Alex Teles - O MVP da partida. O melhor jogo do defesa brasileiro desde que chegou ao Porto. Uma saúde física impressionante permitiu-lhe fazer inúmeras psicinas não só no seu corredor, como na direita a compensar os seus colegas. Atacou muito e quase sempre bem e demonstrou que também sabe defender.
Óliver - Entrou na 2ª parte e lentamente começou a impôr o seu jogo, benefeciando claramente a equipa com isso. Foi através de alguns dos seus brilhantes passes que o Porto conseguiu as poucas oportunidades de golo.
Casillas -  O espanhol teve pouco trabalho mas isso não impediu de ter uma defesa decisiva aos 72 minutos.


André Silva -  Custa-me estar sempre a bater no menino, ainda por cima porque parte da culpa não é dele mas sim de quem achou que o nosso ponta de lança titular deveria ser um miúdo de 20 anos que está a ser completamente queimado. O André teve 2 excelentes oportunidade de golo e falhou as 2, quando ainda por cima fica a ideia que teria colegas em boa posição para receber o passe mas o que me chateia mais é aquela insistência em armar-se em Ronaldo e ir para cima dos adversários quando está mais que visto que o drible e 1vs1, não são de todo o seu forte. Não marca à 5 jogos, facto que para um ponta-de-lança, não sendo decisivo, começa a ser preocupante.
Ineficácia e falta de poder de fogo -  O primeiro remate à baliza do famoso Cláudio Ramos surge aos 82 minutos, ora bem, já seria um dado estatístico mau para qualquer equipa da primeira liga, o que dizer de um candidato ao titulo. Poucas oportunidades de golo e as que tivemos foram francamente mal finalizadas pelos nossos homens da frente.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

FC Porto 1 vs FC Copenhaga 1 - 14.09.2016 - Liga dos Campeões

Porto fraco, fraquinho.

Depois da eliminatória categoricamente ganha à Roma, esperava-se no mínimo um Porto capaz de ganhar, mesmo que fosse sem grande "nota artística", a uma equipa como o Copenhaga. Provou-se mais uma vez que não há equipas fáceis, não há adversários menores, e que na maior prova europeia de clubes, tudo é possível. Começo a falhar logo no primeiro jogo o meu prognóstico em relação à fase de grupos, o que faz com que o Porto tenha a obrigação de ir ganhar à Dinamarca.

Não se pode dizer que o Porto entrou bem no jogo, embora conseguíssemos marcar relativamente cedo numa jogada em que a pressão alta, permitiu a Otávio recuperar uma bola à entrada área, desferindo um míssil depois de combinação perfeita com André Silva. O pior veio depois, o Porto entrega a bola ao Copenhaga, que ganha confiança e começa de certa forma a tomar conta do jogo. Os dinamarqueses são claramente uma equipa inferior mas se lhes damos a bola, se lhe permitimos que a troquem entre si, a tendência é que se agigantem. O chuveirinho começou a acontecer, os nossos centrais ganhavam bola sim, bola não, Casillas sentia que não era nada com ele e começava-se a temer o pior. O 1-0 ao intervalo era de certa forma um bom resultado. Esperava-se um Porto melhor na 2ª parte, um Porto avassalador, um Porto capaz de proporcionar uma grande noite europeia amassando o Copenhaga, ou melhor, eu esperava isso tudo e mais alguma coisa. Erro meu, o Porto foi manso, mansinho, quase inofensivo, e acaba por sofrer um golo estranho, já que o desvio de Danilo pareceu baralhar por completo toda a defesa, Casillas incluído. Nem o facto de jogar contra 10 durante 30 minutos, fez com que o resultado se alterasse até final do jogo. A equipa tentou quase sempre mais com o coração do que cabeça e infelizmente não conseguiu uma jogada que permitisse ter uma clara ocasião de golo. O 4-4-2 foi novamente testado mas desta vez sem o sucesso do jogo com o Guimarães.

Custa-me ouvir o Nuno falar em falta de eficácia, quando praticamente não tivemos oportunidades de golo. Aceito que a equipa tenha tido uma noite menos boa e tenha feito um jogo fraco, não aceito que o nosso treinador resuma este empate à falta de eficácia. O Porto não começa da melhor forma uma fase de grupos onde é a par do Leicester, o claro favorito. Segue-se a viagem a Leicester que foi hoje ganhar ao Club Brugge por 0-3, teoricamente a viagem mais complicada da equipa e parece-me que um empate será um bom resultado, uma vitória será brilhante.


Layún - O MVP da partida. Numa equipa muito nivelada por baixo, foi difícil destacar alguém pela positiva. Mais uma vez o defesa mexicano foi incansável  a defender e a atacar e seguramente um dos que mais empurrou  a equipa para a frente.
Otávio - Um grande golo, uma grande intensidade depositada em jogo, um bom par de fintas e pouco mais. 

  
Herrera -  O médio mexicano fez um 8 no jogo de hoje. Herrera é mesmo assim, capaz de ir do 8 ao 80 no espaço de uma semana. Pareceu sempre um jogador cansado, incapaz de rasgar a defesa dinamarquesa, incapaz de galar terreno e comer metros com bola ou sem. Foi menos 1 em campo e esteve demasiado tempo dentro das 4 linhas.
André Silva - Sempre achei que era demasiado cedo para lançar o André às feras desta forma tão vincada e infelizmente o tempo e os jogos confirmam esta ideia. Na ânsia de querer fazer tudo acaba por ter jogos assim, onde faz pouco. 
Casillas - Fiquei com a ideia, e parece que não fui o único, que o espanhol podia fazer mais qualquer coisa no lance do golo sofrido. É o jogador mais velho da equipa, mas fica sempre a ideia pela forma como entra em campo, que é o mais novo e o mais inexperiente.
Excesso de cruzamentos - Cedo se percebeu que as centenas de cruzamentos que o Porto fez iriam bater no muro dinamarquês, e a equipa e treinador não foram capazes de contornar esse factor com um tipo de ataque mais inteligente e esclarecido.

FC Porto 3 vs Guimarães 0 - 10.09.2016 - Liga Portuguesa

A exibição mais segura da época.

Apesar do Afonso Henriques ser uma verdadeira fortaleza para o Guimarães, as estatísticas revelam que as visitas ao Dragão transformam a equipa vitoriana num adversário estranhamente dócil para o seu historial. A última vitória do Guimarães aconteceu em 1996 e o melhor que conseguiram desde daí foi um único empate em 2005. 20 anos em que o Porto venceu quase sempre e no passado sábado, aconteceu a regra e não a excepção.

O Vitória entrou muito bem em campo, talvez aproveitando o facto do 4-4-2 clássico do Porto estar aparentemente pouco oleado mas a verdade é que passados os primeiros 15 minutos, o "perigo" causado pelo Guimarães resumiu-se a meia dúzia de remates de fora da área. Muito vontade, muita raça, boa qualidade técnica com alguns momentos de tiki-taka mas tudo esprimidinho resultou em raros lances de golo na baliza de Casillas.

Nuno experimentou uma nova nuance táctica (adoro esta expressão) com Deproite e André Silva de inicio e com 2 médios nas alas disfarçados de extremos. Enganou-me porque depois de ver o onze inicial fiquei com a ideia de que iríamos usar um 4-4-2 losango com Otávio a 10 à frente do trio clássico de médios. Não desgostei desta forma de jogar, Deproite como facilmente se percebeu, não tem qualquer problema em em lutar contra a defesa contrária e André Silva também não revelou grande défice por de quando em vez ter de recuar no terreno ou descair mais nas alas. André André e Otávio no papel começavam nas alas mas quase sempre vinham para dentro deixando que os corredores fossem percorridos vezes sem conta por Layún e Telles. Foi um bom jogo do Porto, com um resultado gordo, muito por culpa de um Guimarães que nunca quis jogar para o ponto. Tivemos alguma sorte na obtenção dos golos, mas também algum azar numa bola à barra e num golo aparentemente mal anulado.


Óliver - O MVP da partida. É no meio que este puto joga bem, mais à frente ou mais atrás, é no meio que o Óliver brilha. Grande jogo, grande dinâmica, revelou um muito melhor entrosamento e conhecimento da equipa. Acabou por merecer o golo que sem querer marcou. A forma como faz a bola parecer parte dele próprio é soberba. Bravo.
Deproite - E não é que gostei de ver o belga jogar no seu primeiro jogo completo. Tudo o que fez, fez bem, recebe de costas e deixa para um colega, vai a todas as bolas pelo ar e ganha a disputa quase sempre, joga simples e sem rodriguinhos. Só um aspecto que deve rapidamente corrigir, um avançado vive de golos e o belga tem de começar a pensar em ser menos altruísta e começar a fuzilar as balizas adversárias.
Layún - Oh Miguel, não te cansas caralho?! Mais um jogo onde o mexicano encheu o campo e esteve quase sempre nos lances decisivos do jogo. Uma bola na barra, um canto cobrado que resulta no primeiro golo, um cruzamento mortifero que obriga a um auto-golo vitoriano. Um jogador que fala e principalmente joga muito à Porto.
Bolas paradas - Após anos a ver a banda passar, parece que finalmente estamos a aproveitar os muitos cantos e livres de que dispomos em todos os jogos.


Jorge Sousa - O árbitro portuense esteve parado muito tempo devido a lesão e a verdade é que esse facto parece ter causado mossa na forma como ajuizou inúmeros lances. Faltas marcadas ao contrário, faltas que ficaram por marcar ou foram marcadas indevidamente, um golo mal anulado que nem as várias repetições conseguem dar razão ao árbitro. Acabou por não influência no resultado embora tenha feito uma exibição que certamente não deixará saudades.
Cruzamentos vs posse de bola - A maior critica que era feita a Lopetegui a par da famigerada rotatividade, era a excessiva e inconsequente posse de bola da equipa. Nuno parece ter matado esse mesma posse de bola em detrimento de um abusivo número de cruzamentos para a área. Tem sido demasiadas bolas cruzadas pelos laterais para tão pouca presença na área.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Sporting 2 vs FC Porto 1 - 28.08.2016 - Liga Portuguesa

Mãos, Cotovelos e a derrota do costume.

Perder em Alvalade tornou-se um infeliz hábito, com maior incidência na última dezena de anos, já que temos apenas 2 vitórias desde 2006, a última delas em 2008, ano em que fomos a Alvalade ganhar por 2-1 com golos do saudoso Lisandro Lopez e de Bruno Alves e com o golo do Sporting curiosamente a ser apontado pela maça podre. De 2008 para cá, 8 Jogos, 4 Empates e 4 derrotas. Alvalade tem-se tornado numa fortaleza muito complicada de transpor, curiosamente mais complicada do que a Luz onde ganhamos por 4 vezes nos últimos 10 anos. A verdade é que o Porto perdeu e se não é do cu é das calças, senão é das mãos é dos cotovelos, se não é este é o Tiago Martins.

O Porto vinha embalado por um bom inicio de época, sustentado em parte pelas 2 vitórias em 2 jogos no campeonato e por um playoff da Champions duro mas muito bem ultrapassado. Os jogos pós jornadas da Champions costumam ser penosos a nível físico e exibicional mas o Porto entrou em Alvalade pleno de personalidade e confiança. Após os primeiros 5 minutos fiquei com a clara ideia que poderíamos não ganhar mas certamente não iríamos perder, tal a forma desinibida como começamos a partida. O golo de Felipe (mais um na baliza contrária) surgiu naturalmente num livre exemplarmente marcado por Layún mas a vantagem durou pouco porque um quarto de hora depois já a remontada estava concluída. Nuno Espírito Santo voltou a apelar à raça azul e branca mas a equipa do Sporting demonstrou um melhor entrosamento e uma melhor saúde física. A lesão de Corona também não ajudou porque fiquei com a ideia de que iria ser um dos melhores do Porto.

Gostava de falar numa vitória limpinha do Sporting mas ficou sempre a sensação durante todo o jogo que o chavalo Tiago Martins decidiu a favor dos lagartos todos aqueles lances onde poderia existir duvidas. Pelo o que as 2 equipas jogaram, o Sporting foi superior apesar do bom inicio portista, mas em consciência não posso afirmar que tenha sido uma arbitragem isenta de erros.

Nas derrotas temos de tirar obrigatóriamente aspectos positivos, hoje ficou mais uma vez provado que não vamos ganhar os jogos todos, mas tenho a certeza que iremos lutar até ao último minuto.


Felipe - Mais um golo, seu 3º e 2º nas balizas adversárias. Voltou a demonstrar a enorme apetência para os lances de bola parada ofensivos. Teve muito trabalho porque normamente Slimani quis mais a sua companhia do que a de Marcano e como o argelino é muito mais chato que Dzeko, o brasileiro suou mais. Foi limpando quase tudo embora tenha ficado com a ideia que o corte contra o braço (?) de Ruiz pudesse ter sido feito de outra forma.
Danilo - Lentamente volta à sua melhor forma. Em comparação com o Wiliam, nota-se um inferior poder físico mas hoje já esteve melhor do que nos anteriores jogos. Ainda não apareceu a finalizar na área, algo que espero que faça tal como na época passada.
Otávio - O pequeno Deco é um chato do caralho. Nunca desiste de nenhum lance, o que é terrivel para qualquer defesa porque ainda por cima alia a isso uma enorme capacidade técnica. Tentou ajudar o Telles a defender e foi sempre um dos que empurrou a equipa para a frente.
André A. - Penso que foi o seu melhor jogo esta época. O bom inicio da equipa está absolutamente ligado ao bom inicio do André. Poderia ter marcado num belo remate de roçou o poste e foi sempre um transportador de jogo e um lutador enquanto teve pernas para isso.


Defesa Portista - Voltamos a sofrer golos algo estranhos, foi quase sempre assim a época passada e tinha esperanças que parasse de acontecer esta época. Mesmo que o Gelson tenha jogado com a mão (?), é incrível a apatia da equipa após o remate do Bruno César, preocuparam-se mais em pedir falta do que em mandar a bola para o Colombo e mesmo que o Ruiz tenha jogado com a mão (?), fiquei com a ideia que o corte de Felipe poderia ter sido feito de outra forma.
Arbitragem - Não desculpo a derrota com a arbitragem do Tiago Martins, porque achei a vitória do Sporting justa, mas entre mãos e cotovelos (Slimani e Coates), não me lembro de um lance duvidoso onde nos tenha beneficiado.
Herrera - O mexicano é o único jogador da equipa capaz de correr mais de 10 quilómetros de 3 em 3 dias e isso rebenta com o seu rendimento. Hoje esteve bem enquanto houve pulmão, o pior é que o pulmão acabou muito cedo na partida. A sua ida para o lado direito do ataque foi o que faltava para rebentar com o mexicano.
Plantel - Óliver chegou, treinou, foi convocado e entrou ao intervalo para o lugar do lesionado Corona. O Porto precisava de um extremo como Jota como de pão para a boca, porque como rapidamente se percebeu, Óliver não tem essa capacidade, o que obrigou NES a fazer essa troca com Herrera. Tenho saudades de ver um extremo canhoto tipo Rodriguez no plantel.
André Silva - A raça e o esforço do costume mas hoje pareceu-me demasiado agarrado à bola.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Sorteio da Liga dos Campeões 2016/17

A sorte, ou falta dela, ditou que jogaríamos a fase de grupos desta época instalados no grupo G com a companhia de 3 campeões nacionais, o que faz do nosso Porto a única equipa do grupo que não levantou o caneco no final da temporada anterior. Leicester em Inglaterra, Club Brugge na Bélgica e Copenhaga na Dinamarca são os 3 adversários com quem vamos andar à porrada durante os 6 jogos da fase de grupos. Teoricamente, porque nesta fase pode-se esmiuçar sobre suposições, factos históricos, ideias ou fezadas, somos a par do Leicester, claramente os favoritos a passar à fase seguinte. Acredito numa fase de grupos com uma pontuação final a rondar os 13 pontos.

Começando pelo Leicester, um dos campeões ingleses mais surpreendentes de sempre, senão o mais surpreendente, foi uma equipa que viveu um autêntico conto de fadas. Foi uma daquelas histórias com um guião que só uma ínfima parte da cidade de Leicester acreditaria ter um final feliz mas a verdade é que desde que em finais de Novembro a equipa comanda pelo italiano Ranieri chegou à liderança da Premier League, nunca mais de lá saiu. Gostou da experiência, tomou-lhe o gosto, habituou-se a ver equipas como os 2 gigantes de Manchester, Liverpool, Spurs, Arsenal e Chelsea olharem para cima semana após semana e em Maio de 2016 concluiu com o máximo sucesso uma liga inglesa que a partir de um certo momento, todos os fãs de futebol perceberam para que lado iria cair. O Leicester ganhou a Premier League com uns estrondosos 81 pontos, mais 10 que o 2º classificado Arsenal e com apenas 3 derrotas. Actualmente têm 1 derrota e 1 empate nos 2 jogos disputados no campeonato e ocupam o 97º lugar no Ranking UEFA. O Porto tem um histórico francamente negativo com equipas inglesas, 32 Jogos e 17 Derrotas, embora seja a primeira vez que vai defrontar o Leicester. O meu prognóstico vai para a vitória no Dragão e derrota em Inglaterra.

Club Brugge é o campeão belga, e temos sempre de piar fininho contra campeões. O Porto não se dá propriamente mal com equipas belgas, nos 14 jogos disputados, ganhou 6, empatou 2 e perdeu outros 6. Os confrontos foram na sua maioria com o Anderlecht, embora já tenhamos defrontado o Brugge por duas ocasiões, na longínqua época de 1972/73, ganhando 3-0 nas Antas e perdendo na Bélgica por 3-2, passando assim à próxima fase da Taça UEFA. A última vez que defrontamos equipas belgas foi na vitoriosa campanha da Liga Europa em 2011, quando despachamos o Genk com 3-0 na Bélgica e 4-2 no Dragão. O Club Brugge já disputou 4 jogos para o campeonato belga, tendo 2 vitórias e 2 derrotas e neste momento ocupa o 47º lugar no Ranking UEFA. O meu prognóstico vai para a vitória no Dragão e empate na Bélgica.

O Copenhaga ou FC Kobenhavn, é também o actual campeão dinamarquês, tendo ganho o anterior campeonato com 71 pontos, mais 9 que o 2º classificado, o Sonderjysk. Nas "bulhas" com equipas dinamarquesas, o Porto tem 6 jogos e uma única derrota, curiosamente no primeiro jogo com o Vejle-Kolding em 1981. Daí para cá, empatamos 2 jogos e ganhamos 3, o último dos quais com o Aalborg BK em 1995. O Copenhaga actualmente ocupa o 2º lugar no campeonato, com 4 vitórias e 2 empates nas 6 jornadas disputadas e ocupa o 82º lugar no Ranking UEFA. O meu prognóstico vai para a vitória no Dragão e vitória na Dinamarca.

Se apagarmos por instantes da memória, o facto do Leicester ser o actual campeão da liga mais extraordinária e sedutora do mundo, poderemos dizer sem qualquer tipo de chauvinismo, que somos os favoritos a ganhar este grupo. É fundamental ganhar os 3 jogos em casa e amealhar o maior número de pontos possíveis nos jogos fora. Depois da categórica eliminação da Roma e de ficarmos a conhecer os 3 clubes que calharam na rifa, estou plenamente convicto (mas não cegamente confiante como o Paulinho Fonseca) que passaremos à próxima fase.